Thursday, November 19, 2009



logo de manhã foi atormentada pelo vizinho, que reclamava da vaga com sombra da vizinha. delicadamente ela bateu à porta da vizinha e disse que retiraria o carro novo da sombra, que assim ela poderia colocar o antigo possante descansando sobre o frescor das pequenas árvores.
o vizinho recebeu palavras de baixo calão na mente que fazia manobras em busca de uma vaga próxima. ele, cheio de rancor nas pernas, um leve sorriso no rosto que não a enganava. era irônico, os olhos não mentiam.
ele achou estar fazendo um favor, mas não. criou discórdia dentro do peito da moça que, muito educada, faz o possível para que energias negativas não entrem em seu ser, pois já tinha demais. não precisava de mais. ele entrou pra lista dela. ela ainda não sabia qual o nome dessa lista, mas haveria de encontrar um bem apropriado.
a vizinha não quis a vaga, deixou o antigo carro onde estava.
ao reestacionar o novo carro, a moça passou pelo vizinho e agradeceu a recomendação. ela só esperava que ele compreendesse o sarcasmo e o tom de voz. além de não ser acometida durante seus sonhos pelo vizinho com rancor nas pernas.


Tuesday, November 17, 2009

risco os dias na folhinha pra janeiro chegar mais rápido.




Monday, November 16, 2009


enterro alguns fantasmas. outros cremo. outros insistem em puxar meu pé durante a noite. outros me assustam pela madrugada.
os enterrados ganham uma camada grande de terra, às vezes mais que 7 pés. os cremados receberam o perdão e pagaram com o corpo. os que me puxam me tirando dos sonhos lúdicos ganham espaço na mente no dia seguinte. os da madrugada habitam os sonhos e os finais de noite.
alguns conseguem reencarnar e me transportar para 20 anos atrás. onde a mocidade fazia parte do dia a dia e as preocupações não faziam parte da pauta da vida.
fantasmas, sombrios ou sorridentes, andam me visitando.
a última visita não foi como esperava, foi além. parecia ser tão real que eu conseguia sentir o perfume, sentir o toque suave das mãos em minha nuca e os dedos penteando as madeixas negras mais curtas. a saliva tinha gosto de novidade, por mais que não fosse. o coração batia tão forte que tirava o fôlego. o olhar me deixou catotônica e o receio da pedra em cima da história se mover, rolar e deixar tudo voltar à tona me consumiu.
mesmo acordada os fantasmas me visitam e eu os recebo com um sorriso no rosto e só peço que não fiquem para o jantar.




Wednesday, November 11, 2009

palavras poéticas ditas ao telefone móvel despertam a ira do ouvinte que lamenta os passos dados para trás. diz que não tem volta, que não vale a pena recomeçar, que ninguém que evolui recomeça todo dia e sim consegue o seu lugar.
ditos em vão, lágrimas escorreram pelo rosto. a carapuça serviu no momento da fala que dizia "discurso de perdedor" e blablabla...
o punhal atingiu o peito frágil, que a cada dia fica menor pelo quantidade de dúvidas, questionamentos e insatisfações.
a única coisa que o ouvinte se preocupava era seu trabalho, era a única coisa que dizia ter na vida. não tinha mais nada, restava o amor próprio que um caminhão de mudança passou por cima, restava o ouvido que escutava do outro lado da linha, mas isso não parecia mais importar.
o tom de voz mudou, as respirações ficaram profundas ao ponto de escutar e questionar se a conversa havia despertado mais ira do que já irradiava. um não seco ecoou pelas ondas transmissoras. depois de uma hora tensa o telefone voltou a sua posição original e a única coisa que conseguiu fazer foi caminhar e tentar não pensar na sua vida.

Sunday, October 18, 2009

gentilezas. raras.
mínimas. esquecidas.
fazem a diferença.
olhares tímidos, lidos em entrelinhas trazem boas novas.
é de se chocar. nada visto antes.
impressiona e dá frio na espinha, que sobe até a nuca.
faz virar a cabeça e por um segundo volta tudo no lugar.

Wednesday, October 14, 2009

um tufão.
vento forte no rosto, vertigem, calafrio na boca do estômago.
veio querer chover, mas não.
passou . o vento levou, como diz dona adelaide.
mas a pressão baixou, caiu. foi no pé.
revirou o mundo e voltou ao normal ao final noite.
de ouvido colado, mas o pensamento em outro lugar.
um tufão!
quase entrou em um tufão.
quase foi levada. mas não.
ficou. mesmo querendo ir.
será que vai esperar o próximo ou fazer a trouxa?

Saturday, October 10, 2009

ninguém por perto pra ver o que realmente se faz.
o tempo vira amigo, inimigo, aliado ou faz birra. muito rápido quando não se tem, muito devagar quando não se quer.
choveu, raiou, secou as folhas que grudaram no chão e se transformaram em obra.
arte. que não enxerga, difícil de explicar.
nem sempre funciona no tempo. o tempo vira contra. anda como curupira.
engana a gente, sem dó.
"você e sua íris!"
disse ela a outra que estava parada, olhando fixamente para o lado de lá, com um olhar perdido, sem saber onde ia dar. perdeu o foco e continuou olhando, até os olhos chegarem no nariz e perceber que não se queria voltar. ficar ali. hipnotizada.
desligar o pensamento e ficar sem piscar.