Monday, April 27, 2009



moedas e notas
ninguém nas ruas
revistas antigas
de mulheres nuas
as paredes exalam
cheiro de sexo
os olhos murmuram
trivialidades sem nexo
a luz não invade
o primeiro quarto
janela cerrada
roupas espalhadas
memórias guardadas
em caixas de sapato
dinheiro novo e velho
mais uma dose do ato
suado e calado
abafado o grito
que jorra mais embaixo
preencher o vazio
com você
e me sentir completa
só de te querer



como pra manter em pé
a vontade de comer deitada


Thursday, April 23, 2009



uma adolescente no corpo de uma mulher de 30 anos. era assim o ano de 1999 para Marta. aqueles sentimentos e pensamentos conflitantes se debatendo desde o momento que acordava até o momento em que seu corpo se desintegrava na cama. não sabia o que falar, o que pensar, como agir, como não agir. o peito parecia pequeno para suportar o tamanho do coração. o estômago revirava e várias xícaras de café para suportar o dia. a dúvida. a cruel dúvida de ir ou ficar. de ser ou estar. de ser levada ou levar. mais uma xícara de café despencava no buraco negro do estômago. Marta era mulher independente, passava confiança com aquela imagem 'cheia de si'. no íntimo era frágil, menina, ridícula, medrosa, envergonhada. as palavras fugiam quando ela mais precisava, parecia um dicionário em branco, pronto pra ser escrito. por vezes era assim que gostava de sentir. tudo em branco pra ser escrito com novas palavras, novas sensações. mas não cabia. o que cabia era deixar de ser assim. ir pra luta diária sem os receios infantis, sem deixar que as sensações tomassem conta da direção.
Marta não queria viver a história por ninguém, mas com alguém. 'nem sempre isso é possível, Marta', ela dizia pro reflexo no espelho. ela entendia. ela sabia. as pessoas falavam. ela escutava. mas também dava ouvidos para as milhares de vozes que existiam dentro dela, que nem sempre eram, assim, tão sábias. usava O.B. nos ouvidos, batom preto nos pés, tomava refrescante bucal nas noites de sábado e tentava se embriagar de sonhos.
Marta queria cometer homicídio. esquartejar aquela adolescente que insistia em dormir ao seu lado todas as noites desde aquele último dia de janeiro.






Thursday, April 16, 2009

flores na pele
pele aflorada
delicada
que repele
o outro.


é como esfolar a tampa do dedão nos pensamentos, que invadem as manhãs e as madrugadas. não saber onde pisar confunde o estômago. a respiração fica curta, sem ser pelo diafragama, superficial. o coração bate na garganta e a sensação que o dia acabe é inevitável.
disseram que é a insatisfação faz o ser se apegar a outra coisa. camuflar o sentimento. não é de máscaras que precisamos e sim de pulsação para impulsionar o pulso vibrante que faz pulsar o dia.


Thursday, April 09, 2009



ao som do sertão, cantou bonito a letra decorada, quase um show particular. com os olhos fechados não demonstrava medo do ridículo. eram 4 paredes. ele, ela, gian e giovani, ar condicionado e uma madrugada. no começo mudava de rádio como quem zapeia pela TV em dia de domingo. depois se acalmou e viu que nem sempre é de todo mal ter seu lado brega aflorado. o mundo é divisão, se divertir é saber dividir. 
e assim foi. 
a divisão de pensamentos, de sensações, desejos e emoções. é assim que tem que ser. leve, solto, riso, sem choro, mãos que se entrelaçam, presente inesperado, incentivo para os planos e desejar o bem e o bom, independente do momento, da hora, do lugar, do lado de quem estará.
deixar acontecer. agora aprendeu. nada tem seu lugar fixo, tudo é mutável e graças a alguém o seu mundo nunca é sempre igual.
a música não ficou na memória, apenas a cena que não sai mais de lá. aos poucos se torna isso. inesquecível. e é bom dizer que o coração bate.




as ruas, por dentro, molhadas
os dentes sempre se mostrando
no final do túnel uma concentração
de desejo
deitar e beijar os dedos do pé
massagear cada centímetro do corpo
molhar o bumbum, não com suor
molhou! e riu
'vamos suar?'
não pra emagrecer
mas pra transcender
se tornar dois
quando parece ser um
olhar na íris
e ver a verdade
nua e crua
sem cabelo e roupa
sem medo de mostrar
que todo mundo
é
vulnerável