Friday, February 27, 2009



trapaça. 
foi isso que aconteceu. trapaça. da parte dele e dela.
ele relutou, mas deu um voto de confiança, por mais que as coisas não estivessem saído do jeito certo e esperado. o voto de confiança no final do dia pesou. fez bater acelerado o coração, a comida ficar entalada na garganta, o sorriso desaparecer do rosto e o olhar ficar sonolento, mas era tristeza. era. mas já não tinha mais volta. passou, acabou.
cúmplices de um caso policial, eles prometeram não revelar a ninguém. os dias passarão e tudo cairá na normalidade. ninguém sabendo mais fácil de ser esquecido e levado para um inconsciente, nada coletivo, pelos ventos do tempo.
a trapaça espremia o peito, deixava a mão ocupada, a boca também, mas a mente ficava perambulando entre coisas que não faziam bem. mas passou. a noite caiu. os olhos se fecharam. o travesseiro bem posicionado e o pensamento "que amanhã a cabeça não amole".




Thursday, February 26, 2009



não precisa usar decote, mini-saia ou usar artifícios profissionais pra conquistar algo.
o preço pago é caro, mais de dois salários mínimos, sem contabilizar as despesas derradeiras.
o caminhão pára e observa, gentileza ou mera pressão? ficou sem saber.
o aperto de mão foi pra motivar, segundo ele. mal sabia que o jogo estava pra virar. caneta bic na mão, mordendo a tampa, tremeu na base mas entoou seu mantra. 
agora é aguardar, ter paciência, atenção difusa e se guiar.



. olhe para os dois lados antes de atravessar a rua
. use sempre a faixa de pedestre, quando estiver sendo um
. use sempre cinto de segurança e olhe os cruzamentos
. o braço da baliza no dia-a-dia é indispensável
. respeite a faixa de pedestre, quando estiver sendo motorista
. dê as devidas setas e não ultrapasse o limite de velocidade



fica a dica!


o dia raiou, com o sol anunciando o fechamento da temporada. o mato verde convidava a chegar mais perto, os registros na memória, a barraca do vizinho escutando as conversas no sense de cinco humanos transtornados. nenhum barulho, nenhum movimento.
o resto do dia foi de pura reclusão, cortinas cerradas, sem vento, sem som, apenas a TV para imitar a presença de pessoas, dois travesseiros bastam e muita poças de baba. a cabeça sua, o pé encardido, o cérebro derretido. o dia passou, a tarde foi embora sem ninguém reparar. o banho ficou pra noite, assim como a ida ao banheiro e algo pra forrar o estômago. 
"uma coca gelada, por favor!", era o que tinha sonhado na noite que antecedia a rotina severina.
o cheiro de suor permaneceu no corpo, na roupa, no recinto. na memória só um sorriso estampado, vívido, cheio de paz e carinho.



Wednesday, February 25, 2009



a nuvem branca atravessou a madrugada. não deixou vestígio. apenas um sorriso e muitos litros de água. os pés sujos, terra debaixo da unha, a sandália ficou no meio do caminho.
pupilas dilatadas fugindo do sol da manhã. o único óculos escuro já possuía face e uma única pessoa não entendia toda a cena, mas figurava muito bem.

amanhã....


Friday, February 20, 2009



você se submeteria participar do jantar com toda a família? sentaria na mesa do bar beberia a cerveja mais barata e escutaria o filosofar? ficaria até de madrugada a espera de acontecer o que não vai acontecer tão cedo? falaria palavras gentis, educadas e por hora vis, pra agradar ou pra desabafar o sentimento entalado na garganta que não desce com álcool? olharia com os olhos nos olhos, sem titubear o olhar? beijaria de olhos fechados desfrutando de um momento sublime? respiraria na nuca fazendo arrepiar até mesmo os cabelos que nem existem pelo corpo? seguraria a mão calejada, os dedos estourados em busca de esquentar a mão? puxaria pela gola da camisa para o beijo de despedida?



Monday, February 16, 2009



a vontade de crescer inchava
dentro do peito suturado
a cicatriz, para todo o sempre,
não a deixava esquecer dos anseios
arrancar as raízes 
transformar em asas
partir
mas ao mesmo tempo ficar
é possível?
ninguém explicava nada
nenhuma placa indicativa
tudo no estilo "boca a Roma"
andava
se deixava perder
se deixava levar
se encontrava na rua
na cama
na pia da cozinha
ao lado do paralelepípedo


Wednesday, February 04, 2009



te querer é emputecer
não saber nada sobre você
só que bate os dentes em busca de algo
vira os olhos pra conter o afago
come a mão pra aliviar a tensão
e é na esquina que encontra diversão




manhã de segunda-feira
sem geléia na mesa
terça chega e fez chorar
logo de dia a moça de capacete
que nunca viu o mar
ela não sabia como uma noite 
poderia ser tão divina
hora de ir embora
sempre tão doída
despede, afaga, aperta
fica pra depois
a história de amor
que nem sabe se se completa