Thursday, August 21, 2008

me seguro para não despencar
mas às vezes não dá
começo a vazar

respiro

passo uma água no rosto
sem sorriso bondoso
e me coloco a perguntar
se o que eu tenho feito
não tem sido um grande erro



04/12/07

Tuesday, August 12, 2008

vem aqui. chega perto.
senta ai. bem do lado.
pode espremer. que cabe.
sempre coube. fica ai.
não vá embora.
só mais um pouco.
do teu lado. que tá quente.
tá bom. tá diferente.
do que costumava ser.
fica ai. o tempo que quiser.
pois eu ando sensível.
chorando pelos cantos.
e arranhando vidros.
com as unhas quebradas.
sem cor. sem vida.
sem nada. sem graça.
chega mais. fica aqui.
faz companhia.
que ando meio sem lugar.
dentro de você. de mim. do mundo.
que pra mim anda mudo-surdo.
sem voz. sem som. sem música.

Thursday, August 07, 2008

perdi o jogo. nunca me saí bem nos chamados jogos de azar. mas esse eu apostei todas as fichas e mesmo assim a sorte não quis me acompanhar. agora ando por ai, endividada e com medo de colocar a cara na porta. não quero mais perambular em busca de uma promessa que eu sei que tardará para chegar. mas agora, que recebi a cartada final, compreendo que perdi. perdi a jogada da vez, aquela que muitos desejam, que muitos até conquistam. não darei conta de competir com os demais jogadores, que blefam e conhecem táticas que nem sonho. os outros são melhores, mais experientes e sabem jogar com graciosidade. aqui não. é uma coisa assim... bruta, sem raciocínio, tentando seguir os instintos falhos que não levam a lugar nenhum. mas eu quero aprender o jogo. eu quero jogar mais uma vez, quero mostrar que posso me sair tão bem quanto qualquer outro jogador. quero mostrar que dou conta de fazer tudo o que o jogo pede. gritar, bater a mão na mesa e cumprimentar o parceiro. partir pra mais uma rodada, novo round. sem medo de perder, só com a vontade de aprender e ver que a gente sempre pode ir mais além do que nos falam.

Tuesday, August 05, 2008

fiquei envergonhada. mesmo sem ver minha expressão senti a pele do rosto corar e pegar fogo. com as sandálias, de solado gasto, na mão, com cara de 'pega no pulo' titubiei, mas entrei. logo após chorei. um choro sem razão, sem explicação. só um choro. de felicidade, de temor, de tantas coisas misturadas que nem tinham motivo, naquele momento, de sair da minha via lacrimal. depois o sono veio e me abraçou. dormi tranquila. porém, a manhã acordou cinza, vento forte, cheiro de dormida, cabelo bagunçado e assim fui fazer as tarefas cotidianas. marcar horários, efetuar compras, fazer limpeza de 'hd', forrar o estômago. passei o dia pensando na cena noturna. o que estaria passando pela cabeça alheia, o que estaria passando na minha cabeça. só sei que voltei pra casa com cheiro bom no ombro, que há muito não tinha.



não escrevo bonito como poeta, cronista e derivados afins... por vezes só vomito no teclado.
Clone de Geni


dizem que Geni era boa de apanhar, de cuspir, de jogar pedra, bosta, só pelo fato de dar pra qualquer um. recebeu insultos, recebeu elogios, salvou a vida do povo da cidade e o povo não parou de cantar as desgraças da sua vida. a Geni que conheço é filha da puta, tem filho na barriga e continua a dar. sem medo, sem critérios. se faz de sonsa, com voz mansa e sedutora. com olhos grandes amendoados e cílios quase que invisíveis. tem boa aparência, isso ninguém nega, tem boa conversa, isso é fato, mas tem duas caras e ambas são salafrárias. a Geni que eu conheço por um certo tempo me cativou, me aproximei e até cheguei a falar de sua beleza aos outros. mas agora... não, não... não quero mais saber de Geni, não quero mais saber o que faz da vida, com quem dorme ou pretende dormir. quero que ela se gaste e desgaste entre homens e mulheres. seu sorriso receptivo não me convencerá mais. nem quero que chegue perto de mim solicitando um gole da minha cachaça ou um trago do meu fétido cigarro. quero que Geni viva longe, quero que vá de encontro a outro acaso que não seja perto da minha alma e pensamento., pois essa noite ela me atormentou, batendo na minha porta e fazendo meu pitbull latir até espumar.