Wednesday, May 14, 2008

Me senti suja quando você olhou pra mim e começou a chorar.
O meu choro que há muito tempo segurava não conseguiu ficar calado e gritou, durante toda a noite e na manhã do dia seguinte.
Me senti, mais uma vez, como eu não gostaria.
Me vi como um bandido que lesa o outro sem qualquer motivo. Motivos.
Muitas vezes eu não os tenho, mas cometo os mesmos erros que perseguem minha vida, que perseguem minhas vistas, que perseguem meu coração.
Não quero me sentir desse jeito novamente que só você sabe como é.
Quero me sentir leve e ver graça nas coisas pequenas, na viagem que as fotos ficaram no pensamento, nos momentos em que eu não precisava não ser ninguém a não ser eu mesma.
A saudade bate tem dias calada, quase muda, em outros ela passa por cima de mim, me bate na cara, me deixa descontrolada e desanimada, me irrita, pois as coisas não são mais do que jeito que deveria ser.
amor meu, não me deixe. sei que ando mais pra lá do que pra cá, mas o que bate aqui tá no compasso, não vá. não feche a porta, o rumo há de chegar. tudo vai se encaixar, é só esperar, pode acreditar. as coisas vão ficar no seu devido lugar. só não solte a minha mão e não diga que sofre de ilusão. ontem quando te vi você estava com o coração quente, porém com as mãos geladas. o cheiro bom ficou na minha malha, que cheguei a dormir com ela, pra sentir a sensação de que você estava ali, bem do meu lado. hoje em dia durmo com dois travesseiros e foi uma mania que peguei de você. por vezes coloco um entre as pernas, por outras abraço e caio em um sonho longo e pesado. os retratos permanecem aqui, no mesmo lugar. já me falaram pra tirar, mas parece que eles estão pregados como a espada do Rei Arthur e não me incomodo, acho bom revê-lo todos os dias com um sorriso sincero no rosto. hoje não durmi muito bem, acordei pela madrugada, tive pesadelos e me debati com as cobertas. acordei pela manhã suada, como se tivesse corrido uma maratona, a garganta doendo, a cabeça latejando e os olhos lacrimejando.
Mágoa


palavra ardida
que fere a boca e dói na alma
assola o peito e deixa um buraco no estômago
uma vazio por dentro
o chão antes que tinha aqui
caiu, despencou
e levou tudo aquilo junto com ele
agora tudo escuro
igual criança com vendas nos olhos
brincando de Marco... Polo...
será que a luz volta?
volta, mas talvez não na intensidade que se quer
o brilho que exisita pode nunca mais voltar
mas não deixe que as coisas aconteçam assim


13.05.2008
23h16

Monday, May 12, 2008

encontrei o homem da minha vida. e ele é de verdade. não esses homens projetados na mente, que são perfeitamente perfeitos, como príncipes de contos infantis, ou aqueles espelhados em artistas de cinema que nunca chegarei a conhecer.
esse é de verdade, de carne e osso.
me entende, não me deixa constrangida pelo fato deu não ter depilado a perna, me deixa a vontade ao ponto de soltar arrotos, falar que vou ao banheiro e pela minha expressão facial ele já entender exatamente o que eu vou fazer, nº 1, nº 2 ou espremer os cravos. me deixa tão a vontade que eu me impanturro e mostro a minha barriga de menino da Somália com orgulho e ele acha graça e diz que se ficar estufando a barriga daquele jeito ela não volta nunca mais. de olhar nos olhos e ver aquele sorriso da iris, se sentir quente só com um sorriso, se sentir molhada apenas com um abraço apertado ou beijo inesperado. pra quem e com quem mais eu poderia fazer, falar ou sentir coisas desse tipo? senão para o homem da minha vida.
mas uma coisa bloqueia esse reencontro. eu mesma.
sinto que o encontrei, mas ao mesmo tempo não me vejo pronta para me entregar totalmente a essa relação. por isso mesmo tenho medo de perdê-lo, por não me achar nunca pronta e ele ir embora, com outra pessoa, que seja mais decidida, mais sã do que eu já fui algum dia.
eu o encontrei, mas ainda não me encontrei da maneira que quero.
preciso sentir a vida, preciso vivê-la e sabendo que você tem alguém ao lado é pensar duas vezes, é pensar em dois e talvez eu não esteja pronta, só isso, pronta.
mas eu o achei e não quero perder. é ele. disso eu tenho certeza.
o que posso fazer agora é manter a porta aberta, pois eu sei que ele é a pessoa, mas ainda não estamos no lugar certo. é isso que me passa, é isso que sinto. espero que ele sinta isso também.
pois ele quem me faz rir, que fala baixo ao telefone, que gosta de desenhos japonês, que prepara pratos saborosos, que sabe onde me tocar, que sabe às vezes o que diz em meu olhar.


"não existe amores perfeitos, existem sim amantes acomodados"
o que fazer quando tudo passa ao mesmo tempo?
calmaria, excitação, silêncio, barulho, comoção, frieza.
tudo misturado, tudo confuso e por vezes calado.
tem hora que tudo trava
outras não
fluem como se não houvesse
porque parar
travam como se fosse a única
forma de continuar
parada, correndo
tudo ao mesmo tempo
aqui dentro
as coisas sem sentido
entrecortadas
quando cai a madrugada
que se encaixam perfeitamente
lá fora
o vento sopra frio
e não há mãos
que esquentam
a pele fina,
quase um fio,
que treme
e confessa
que não vive
sem seu calor